Durante cerca de 20 anos, Francisco Isolino de Siqueira tem suas crônicas publicadas semanalmente no jornal Correio Popular, de Campinas. Escrevendo sobre o quotidiano da cidade e das pessoas que povoam sua vida, o advogado, jornalista e professor analisa e acompanha as condições econômicas, político-sociais e afetivas que definem os relacionamentos de seu tempo. Sempre através de verdadeiro diálogo com seu "leitor e amigo".

Seja destacando as obras desenvolvidas pelas entidades assistenciais da cidade e chamando o leitor à participação eficiente, seja incentivando os jovens à leitura e à inserção na vida política de sua comunidade ou ainda, relatando com humor as histórias de seu primo, "aquele que sofre do fígado", Isolino de Siqueira desenvolve estilo próprio e marcante de registrar, em forma de crônicas, o mundo à sua volta e também aquele dentro de si.

As crônicas publicadas neste blog são amostras de seu estilo literário cativante, original e pessoal, que conquista o leitor, mantendo vivas as suas mensagens, poesia, beleza e valores atemporais.

Boa leitura. Ou melhor, bom diálogo com este corintiano "irmão de quotidiano".

"Se eu pudesse recomeçar eu procuraria fazer meus sonhos ainda mais grandiosos porque essa vida é infinitamente mais bela e esplêndida do que eu pensava, mesmo em sonho". - Francisco Isolino de Siqueira

(trecho extraído da crônica "Colóquio")

sábado, 1 de outubro de 2011

Hildebrando Siqueira

Hildebrando Siqueira teria completado, dia 5 de novembro, oitenta anos[1]. Meu pai viveu os quarenta e dois anos de sua vida, que se findara a 7 de Novembro de 1946, em torno das letras. Professor secundário, de Português, jornalista profissional e escritor engajado no movimento de 1922, com participação que se pode aferir através de sua obra principal “O Castelo Pegou Fogo”, livro que se identifica pela estilística buscada na sensibilidade de Álvaro Moreira. Publica, ainda, separatas, discursos, e não tem mais tempo sequer de arrumar seus numerosos artigos veiculados através de inúmeros jornais do Brasil. Foi redator principal de “A Onda”, revista literária que circulou em Campinas, nos idos de 1922 e de “A Cigarra”, famoso reduto de literatos daquele mesmo período em São Paulo. Embora moço quando falece, marca o movimento cultural brasileiro, de maneira particular o paulista, tanto que se lhe dá à cadeira numero oito da Academia Campinense de Letras o próprio nome.

Mas, qual a influência ou repercussão, ainda hoje, que se recebe de Hildebrando Siqueira, como literato inconteste que foi? Obra escassa, e esparsa, Hildebrando Siqueira ficará, certamente, na memória dos que estimam verdadeiramente as letras, quer junto à Academia Campinense de Letras, como nos anais do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do qual foi membro eleito por seus trabalhos de pesquisa histórica, particularmente aquele sobre Serra Negra e aquele outro sobre a figura do Morgado de Mateus. E em relação ao grande público, aos leitores que se identificam com as letras, elas mesmas, como fatores inalienáveis do efetivo desenvolvimento pessoal? A geração que recebe de Hildebrando Siqueira sua inequívoca influência pessoal se extingue e será preciso, para que se lhe conheça, agora, o conteúdo e valor cultural que se reeditem suas obras, talvez em volume único, que reúna todo material que produz, o principal, quem sabe, envolvido em comentário e análise de seu desenvolvimento cultural. Por isso esta memória, - a lembrança de sua pessoa, de sua participação cultural, da atividade que desenvolve durante o curto espaço de tempo que lhe reservou a própria vida. E interessa-nos, agora, fixar alguns traços de seu perfil literário.

Hildebrando Siqueira oferece algumas facetas significativas - aquela do poeta, do historiador e do exegeta da língua pátria. Mas, decididamente, era poeta, não apenas porque a sensibilidade se lhe coloca, à superfície, as mais expressivas manifestações, todavia pelo próprio estilo. A concisão própria dos poemas é marca de seu estilo, tanto que resolve os mais significativos problemas da alma em poucas linhas, quase apressadamente. Não tem a composição torturada, daquele que se esforça em busca do termo adequado, que se ajusta à frase. Escorre-lhe o estro, recebe as manifestações da própria alma com o tranqüilo comportamento dos que convivem com a própria sensibilidade. Sente-se lhe em “O Castelo Pegou Fogo” a dignidade daquele que respeita a mensagem literária, mas, acima de tudo, a poesia das palavras, aquele ajustamento solene e amável ao mesmo tempo, dos termos que traduzem o diálogo coração-cérebro. A leitura de “Fim Amável”, separata que contém um de seus mais ricos discursos de paraninfado, confirma a incontestável doçura de suas projeções sensíveis. Qual a premiação que se lhe dá neste concurso da vida? O tímido machadeano recebe de seus coetâneos reconhecimento que lhe agradaria, com certeza. Da-se-lhe o próprio nome a uma biblioteca pública e a uma escola de primeiro e segundo grau da rede estadual do ensino, aquela que se situa no Jardim Eulina. Nada mais precioso para que se perpetue o nome de um poeta - livros e jovens, sementeira de eternidade.



[1] Crônica publicada originalmente em 11 de novembro de 1984.

Um comentário:

  1. Olá moro em uma rua em SP/SP que recebe o nome de Hildebrando Siqueira, sabe dizer se seria a mesma pessoa?

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